Falando de moinhos, tem de se referir o profissional que tudo fazia, desde preparar a condução da água, até entregar a farinha ao freguês e na volta trazer mais cereal para moer.

 

Referindo novamente Lopes de Macedo e a sua obra “Moinhos da Baságua”, diz ele assim: “Tal como os restantes ofícios, a profissão de moleiro estava sujeita a normas de regulamento ou leis avulsas, regimentos municipais e códigos de posturas”. Em termos de registos que chegaram até aos nossos dias, destaca-se a região norte, mais particularmente a zona de Guimarães. “E tem ainda a seguinte nota: “Os moleiros, assim de trigo como de broa, eram obrigados a ter os seus guarda-pós (os panais de protecção da farinha que vai saindo das mós),em panos que não esponjem” ou estopa, fechados e cobertos por uma esteira; e os seus tremonhados bem varridos e limpos”, para o que terão sempre “suas vassouras de junco” e não terão nos seus moinhos galinhas, nem cães, nem porco, mas sim, pelo contrário, ratoeiras armadas e um gato”. (do Regulamento Municipal de 1791 e acta de 1829-Guimarães), (transcrito do livro “Sistemas de moagem, SNI, Centro de Estudos de Etnologia).

O moleiro era auxiliado pela mulher e filhos, que dividiam entre si as muitas tarefas. Não implica contudo que o trabalho deixasse de ser exaustivo! Como já foi dito, o moleiro tinha periodicamente de proceder à desmontagem das pedras para a picagem. Este serviço era executado pelo próprio moleiro, bem como a reparação de todo o conjunto, bem pesado, do rodizio. Este está assente numa barra, a “ponte”, com um furo central onde encaixa o “aguilhão”. A ponte é comandada por um veio vertical, o “aliviadouro”. Na casa do moinho existe uma manivela que sobe ou desce o aliviadouro, permitindo a afinação das mós. Da distância entre estas, depende a qualidade da farinha. O moleiro conhece tão bem o seu moinho que basta a alteração do “cantar” das mós, para saber o seu estado ou se tem suficiente grão para moer. No entanto, porque as diversas tarefas podem distrair-lhe a atenção, utilizava um estratagema que consistia em colocar um pedaço de cortiça preso a uma corda que na outra ponta tinha um chocalho, sendo a cortiça metida no meio do grão. Quando este começa a escassear, o chocalho caía sobre a pedra e o seu barulho alertava o moleiro.
A farinha é a base da nossa alimentação, quer através do pão, quer utilizada directamente na culinária. Quem nunca provou as deliciosas “papas laberças”, prato que se obtém juntando farinha à sopa já confeccionada!
O nome “pão” é genérico de toda a alimentação. No entanto, é especialmente aplicado ao “bolo” de farinha de trigo ou centeio. Sendo de milho, já se chama broa. Para cozer o pão ou a broa, os lares de melhores condições económicas possuíam um forno aquecido a lenha. Estes fornos têm um interior abobadado e o fogo era ateado dentro deles, varrendo-se quando estava aquecido e pronto a cozer. Mas também existiam fornos comunitários. Em Condeixa, eram chamados “fornos da poia”, em referência ao contributo cobrado pelos proprietários.
Muito mais coisas deviam ser ditas sobre os moinhos de Condeixa e actividades a eles ligadas. Conheço várias obras versando este assunto. Nenhuma de Condeixa! Não será tempo de a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia ou outra qualquer entidade responsável decidir mandar fazer e publicar um estudo sobre os moinhos de Condeixa, enquanto é possível obter espólio fotográfico e informação fiel de pessoas ligadas ao tema?

Cândido Pereira