Apontada como um “exemplo relevante” da aplicação do investimento comunitário em Portugal, a Dominó, empresa de fabrico e comercialização de pavimentos e revestimentos cerâmicos localizada na Zona Industrial de Condeixa, continua a merecer a atenção dos responsáveis europeus.

Em Abril, a unidade recebeu a visita da chefe da representação nacional da Comissão Europeia, Sofia Colares Alves, e no passado dia 23 foi a vez do comissário para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, conhecer a realidade da empresa portuguesa que em 2018 completa 30 anos de actividade e apresenta um “forte cariz exportador”, como salientou João José Xavier, presidente do conselho de administração daquela PME (Pequena e Média Empresa).

A Dominó é vista como um caso de êxito do relançamento da indústria cerâmica com apoios da União Europeia, após a crise económica que entre 2009 e 2013 a fez retrair o volume de negócios.

“Em 2013, fizemos uma mudança profunda do modelo de negócio, priorizando mercados e desenvolvendo produtos de maior valor acrescentado”, explicou o líder da empresa ao comissário português, realçando que a alteração permitiu inverter o “ciclo decrescente” e registar um “crescimento enorme” (18 por cento) na facturação nos últimos quatro anos.

Entre programas de internacionalização, inovação, investigação e desenvolvimento tecnológico, optimização energética e outros, os fundos europeus já financiaram a Dominó em 21 projectos ao longo de quase três décadas. “O contributo da União Europeia foi muito importante na história da empresa. Ajudou-nos a ser, em cada fase, mais competitivos para operar com mais eficácia nos mercados exigentes onde estamos”, frisou João José Xavier. A empresa, com 180 funcionários, exporta 65 por cento da produção para seis dezenas de países nos cinco continentes.

O presidente da Câmara de Condeixa, Nuno Moita, que acompanhou a visita de Carlos Moedas, realçou a aposta da autarquia na ligação às empresas, considerou a Dominó um “parceiro importantíssimo” e anunciou um projecto de expansão daquela zona industrial, financiado em 1,6 milhões de euros por fundos comunitários.

 

Dar a cara

 

Por seu turno, Carlos Moedas considerou que “a Europa, nos últimos 20 anos, foi perdendo a conexão entre aquilo que faz e as pessoas” e “tem de voltar a estar no palco” com a inclusão de programas no próximo orçamento plurianual que fortaleçam essa relação directa. “Temos de estar mais presentes, temos de dar mais a cara”, afirmou em Condeixa.

Defendendo que as instâncias da União Europeia devem “contactar as pessoas”, deu o exemplo da sua visita à Dominó: “Estamos aqui a mostrar a cara, a dizer isto é a Europa”, reforçou, salientando que o Plano de Investimentos para a Europa, conhecido por Plano Juncker, é um sucesso em Portugal.