A Feira dos Pinhões continua a ter “um papel importante” para “ajudar a afirmação do Centro do país enquanto destino turístico”, cuja estratégia passa por apostar em produtos “claramente diferenciadores” em relação àquilo que é hoje a estratégia nacional. Esta é pelo menos a convicção do presidente do Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, que considera que a valorização e afirmação dos territórios deve passar pela promoção dos seus “produtos identitários, com aspectos culturais associados”, respondendo a uma “tendência dos mercados, sobretudo internacionais”.

“A Feira dos Pinhões continua a ser uma boa estratégia de afirmação do nosso destino, porque faz parte desse elenco de produtos com produtores, história, cultura e ligação ao território local que nos permite continuar a fazer a promoção” da região Centro de Portugal assente na diferenciação, afirmou Pedro Machado na abertura oficial daquela feira centenária que atraiu milhares de pessoas à vila de Ansião, no último fim-de-semana (27 e 28).

Os últimos dados estatísticos “apontam para um crescimento consolidado” do turismo no Centro de Portugal, revelou aquele dirigente, alegando que para esse crescimento terão contribuído “duas preocupações”: o facto de 2017 ter sido um ano “muito atípico” marcado pelo Centenário das Aparições, mas também a aposta de “produtos identitários, com aspectos culturais associados”.

A vinda do Papa contribuiu para que fosse um “ano extraordinário sob o ponto de vista do crescimento turístico da região”, favorecendo também os concelhos vizinhos, entre os quais se inclui Ansião, no sentido de aproveitar a vinda desses muitos visitantes convidando-os a visitar “mais territórios durante mais tempo”. Esse objectivo foi alcançado com “o Centro do país a ter de facto crescimentos notáveis nos meses de Abril e Maio”, liderando “a nível nacional em hóspedes e dormidas de forma exponencial”. Entre Setembro e Novembro, “o Centro de Portugal continuou a crescer a 20 por cento”, acima da média nacional (nove por cento), o que para Pedro Machado significa que a região atingiu um “crescimento consolidado e sustentado”.

Contudo, o ano não teve apenas “momentos altos de afirmação”, mas também “ameaças muito fortes” causadas pelos incêndios de Junho e Outubro, que puseram em causa “a segurança dos destinos”, passando a ideia de que “não valia a pena vir porque estava tudo ardido”. Afinal, ardeu “um dos nossos produtos premium: o turismo de natureza, a paisagem e o turismo activo”. Para combater estas duas ameaças, o Turismo Centro de Portugal recorreu a “campanhas quase agressivas” para as pessoas não deixarem de visitar a região, afirmando ainda o território com base nos “produtos identitários, com aspectos culturais associados”, considerados uma “tendência dos mercados, sobretudo internacionais”.

Nesta vertente, “a Feira dos Pinhões continua a ser uma boa estratégia”, porque traz visitantes e produtores, tal como permite promover o concelho, provando que “a ameaça da segurança ou de que não há cá nada para fazer é uma ideia falsa”. Afinal, além deste certame, “Ansião tem muito mais trunfos e atributos que nos permitem combater essa ideia”, como o Complexo Monumental de Santiago da Guarda, o eixo da romanização e a gastronomia. Por isso é que estes eventos são “particularmente importantes na nossa estratégia de afirmação regional”.

“As suas palavras são uma motivação para no concelho de Ansião continuarmos a apostar no trabalho de valorização do nosso território, dos nossos produtos, mas também das nossas pessoas”, realçou o presidente da autarquia, António José Domingues, salientando que, com vista a “valorizar e dignificar” o certame, introduziram melhorias no programa, lançando o desafio ao movimento associativo para participar num desfile integrado na Feira dos Pinhões, onde puderam mostrar o seu trabalho e a importância que assumem no concelho.

Salientando que “a Feira dos Pinhões é já uma marca para o território”, o autarca quer “dar um outro olhar sobre a feira”, articulando “todos os atributos e trunfos de Ansião” de forma “a afirmar e valorizar o concelho”.