A presidente da direcção da Sociedade Filarmónica Ansianense de Santa Cecília, Sandra Carvalho, nega qualquer conduta incorrecta na gestão desta associação, garantindo que não existe um “saco azul” e que todos os pagamentos são efectuados mediante a apresentação de recibo. Aquela dirigente defende-se da acusação de alegada gestão danosa entregue na Procuradoria-Geral da República por “um grupo de cidadãos ansianenses”, que prefere o anonimato.

De acordo com a denúncia, “a actual gestão da Filarmónica criou um saco azul, através do qual faz pagamentos e cobranças à margem da lei, que não declara para efeitos fiscais”. A acusação refere ainda que “por princípio, não são emitidos recibos das quantias pagas pelos pais dos alunos da escola de música”, tal como “não emitem recibos pelos serviços prestados às Comissões de Festas”. Juntamente com a queixa-crime, os subscritores entregaram um documento com perto de 500 páginas que reproduz mensagens trocadas entre três membros da direcção numa conversa de ‘chat’, que “mostra como é (mal) gerida a instituição e como são desbaratados os seus fundos, demonstra atitudes inaceitáveis, destituídas de qualquer decência”.

Sandra Carvalho afirmou ao TERRAS DE SICÓ que “ainda não recebemos qualquer notificação” e garantiu que a instituição tem “contabilidade organizada” e que “não há nenhuma irregularidade”. “Estamos de consciência tranquila”, adiantou aquela dirigente, argumentando que “não há qualquer saco azul, temos tudo em ordem”.

“Todos os fornecedores que nos prestam serviço apresentam recibo e só mediante a apresentação desse recibo é que os pagamentos são efectuados”, sublinha, considerando que “essa denúncia é completamente infundada”, pelo que “não sabemos a que se deve esta queixa”.

O autodenominado “grupo de cidadãos muito preocupado com a gestão actual da Sociedade Filarmónica” questiona também sobre o destino dos fundos obtidos no espectáculo que aquela associação promoveu para ajudar as vítimas dos incêndios do último mês de Junho. “No final desse espectáculo, a presidente da direcção, Sandra Carvalho, informou todos os presentes que tinham sido angariados 5.000 euros”, mas “passados seis meses, ninguém sabe para onde foram esses fundos”.

“Os valores angariados no âmbito do espectáculo “Renascer das cinzas” sempre tiveram na conta da Filarmónica”, esclareceu Sandra Carvalho, explicando que “tivemos várias reuniões de direcção no sentido de perceber onde seria melhor empregue”. “Inicialmente tivemos a pretensão de colocá-lo no fundo Revita”, mas como “a ajuda não estava a chegar da melhor forma, propusemo-nos a entregar directamente a famílias e jovens estudantes que precisassem de ajuda”. “Neste momento já procedemos à entrega dos primeiros computadores em Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande e Castanheira de Pera”, revelou, adiantando que vão também ajudar um jovem na entrada no ensino superior no próximo ano lectivo e apoiar outro jovem durante o seu estágio, nos meses de Junho e Julho, em Castelo Branco. “Portanto, está tudo a ser encaminhado, pelo que estamos tranquilos”.

“Isto mais não é que uma tentativa de criar instabilidade junto da associação, mas estamos unidos e tudo irá a bom porto”, acredita Sandra Carvalho, que está disponível para “colaborar com as autoridades” e “se a investigação prosseguir iremos prestar toda a informação necessária”, esperando que os responsáveis por este processo “assumam as devidas consequências e responsabilidades”.

 

Eleições antecipadas

 

“Perante uma suspeita, quisemos dar oportunidade aos sócios para se manifestarem e mostrarem a sua total confiança nas pessoas que os dirigem”, informou Sandra Carvalho, adiantando que a direcção apresentou um pedido de eleições antecipadas, a fim de devolver aos sócios a prerrogativa necessária de confiança nos seus órgãos sociais. “Não estamos agarrados ao lugar, não nos demitimos, não abandonamos o barco, simplesmente colocámos eleições antecipadas precisamente para os sócios terem a oportunidade de se pronunciar”, justificou a presidente da direcção, salientando que de outra forma os sócios “só teriam essa oportunidade daqui a dois anos e meio, o que seria um tempo muito longo para se pronunciarem”.

Assim, a Filarmónica Ansianense foi novamente a votos, no passado sábado (30), reafirmando a confiança na presidente Sandra Carvalho, que foi reeleita. A única lista a sufrágio apresentou uma pequena mudança, alterando apenas o tesoureiro e o segundo secretário, com Artur Ramalho e Paulo Freire a assumirem respectivamente essas funções.