O presidente da distrital de Leiria do PSD, Rui Rocha, foi reeleito no passado dia 4 de Novembro, numa eleição que não contou com oposição.

O novo presidente da Câmara Municipal de Ansião, António José Domingues, prometeu trabalhar em prol do “crescimento e desenvolvimento sustentável do concelho” para que este se “afirme como um território de referência e com qualidade de vida”. Para concretizar este “grande desafio”, o autarca convida “todos os cidadãos” a “participar de forma activa, empenhada e comprometida na construção de um concelho melhor”.

O associativismo da freguesia de Pousaflores está mais rico desde o passado mês de Agosto. Depois de vários anos a participarem em concentrações de norte a sul do país, um grupo de adeptos das duas rodas achou que estava na altura de dar um passo em frente. Por isso, com o apoio da Junta de Freguesia local, criaram o Grupo Motard de Pousaflores. Dois meses volvidos sobre a sua fundação, promovem o seu primeiro evento: o Moto Magusto.

Os característicos muros do carso de Sicó estão a desaparecer. À partida este facto poderia não ter qualquer interesse. E não teria, se não estivéssemos a falar de um património que faz parte da paisagem cultural de Sicó. Sendo assim, está em causa a degradação de um factor de identidade local. Mas, será que as pessoas que vão contribuindo para a destruição destes muros têm consciência que estão a devastar o património local? O geógrafo João Paulo Forte acredita que não, por isso denunciou a situação no seu blogue (http://azinheiragate.blogspot.pt) e defende que é fundamental criar legislação e sensibilizar a população para a necessidade de preservação destes elementos da paisagem cultural de Sicó.

Gastronomia regional para apreciar, produtos endógenos de Sicó para adquirir e música tradicional para animar. Estas são as propostas que a Mostra Gastronómica Sabores de Ansião sugere para este fim-de-semana. Entre esta sexta-feira (20) e domingo (22), o Centro de Negócios, localizado no Parque Empresarial do Camporês, transforma-se num grande palco onde vão desfilar os sabores e as tradições da região.

A decisão de Rui Rocha não se recandidatar saiu cara ao PSD. O partido que governou os destinos do concelho de Ansião ao longo de mais de 40 anos e apresentou um candidato (Fernando Marques) que foi presidente da autarquia durante 20 anos, perdeu a liderança da Câmara Municipal para o PS, encabeçado por António José Domingues, mais conhecido por “Tozé”. O grande vencedor destas eleições autárquicas fala numa “vitória histórica”, que é “muito importante para o concelho”. A tomada de posse acontece no próximo dia 20 de Outubro.

Confirmou-se o pior cenário. O Instituto Vasco da Gama (IVG) fechou portas no início deste ano lectivo. As aulas ainda arrancaram, mas era insustentável manter uma escola aberta com apenas uma turma de seis alunos. Por isso, depois de 27 anos ao serviço da educação, aquele estabelecimento de ensino “morreu” e com ele também um pouco de Santiago da Guarda. Afinal, o IVG foi o grande impulsionador da freguesia e ainda era o garante de movimento nas ruas e no comércio tradicional.

“Santiago da Guarda morreu”. Esta é a opinião da generalidade dos habitantes daquela localidade do concelho de Ansião. O encerramento do IVG levou os alunos dali para fora, mas também os pais, professores e funcionários. O edifício ficou às moscas e a sede de freguesia também.

Mas comecemos pelo início. Corria o ano 2016 quando o Governo decidiu cortar o financiamento de estabelecimentos com contrato de associação onde existia oferta de escolas públicas na zona. Ora o IVG, detido pelo grupo GPS, estava nessa condição, por isso em 2016/2017 perdeu as turmas de início de ciclo (5.º e 7.º anos), ficando apenas com quatro turmas (6.º, 8.º e 9.º anos), tal como noticiou o TERRAS DE SICÓ em Junho de 2016. Agora a situação piorou ainda mais. As aulas começaram com apenas uma turma de 18 alunos (9.º ano), mas nos primeiros dias alguns deles pediram transferência para o Agrupamento de Escolas de Ansião. Restaram seis estudantes durante pouco mais de uma semana. Assim, era insustentável manter o funcionamento deste estabelecimento escolar, pelo que os alunos foram transferidos para a sede de concelho. Na passada segunda-feira (25 de Setembro), o IVG já não recebeu alunos. No edifício, que outrora trazia dinamismo e movimento à localidade, restam agora 11 pessoas entre pessoal docente e não docente.

“O IVG faz falta na freguesia”, considera Anabela Domingues, argumentando que além de se perder a escola, perde-se “movimento para a terra e assim Santiago da Guarda está morto”. Aliás, segundo aquela empresária, “já se nota na loja e, sobretudo, as ruas estão mais mortas”, afinal “eram os miúdos e atrás deles vinham os pais, os professores e os funcionários”.

Por ali, as pessoas não percebem porque é que deixaram aquilo chegar àquele ponto. “Em Ansião, a escola está a abarrotar e aqui vai ser mais um monumento ao abandono”, refere Anabela Domingues, esperando que “alguém pegue naquilo e o converta noutra coisa qualquer, como num centro de formação ou um segundo pólo da ETP Sicó”. “Ainda temos a creche, o jardim-de-infância e a escola primária, mas o IVG fazia muita diferença”, diz, adiantando que “depois de tantos anos ver aquilo morrer é triste”.

Também Nazaré Ferreira, proprietária da loja Baú de Santiago, partilha da mesma opinião. “O IVG era uma mais valia para a terra, assim morreu Santiago da Guarda e foram-se as crianças, os pais, os professores e os funcionários”. Porém, “ainda não notei muito no negócio, noto apenas nas gomas e vai notar-se na altura das reuniões de Natal, Páscoa e fim de ano, quando os pais vinham comprar prendas para os professores”. “Mas não é por aí, a terra perde muito mais”, por isso esta habitante defende que “deviam dar alguma utilidade àquilo criando, por exemplo, um centro de formação”.

 

“Era uma família”

 

“O IVG faz parte integrante daquilo que sou e estará para sempre ligado à minha infância e adolescência”, salienta o antigo aluno Vítor Rodrigues, salientando que “foi um grande privilégio ir para uma escola novinha em folha que centralizava alunos das aldeias mais distantes de Ansião desde Cotas, Ramalheira, Malhadas, Malavenda, Sabugueiro, Ateanha, etc., com autocarros próprios”. Além disso, “a equipa docente e discente era jovem e constituída por um misto de experiência e dinamismo jovial”.

“Entendo os motivos económicos que levam à racionalização do parque escolar, mas será com muita tristeza que verei uma infraestrutura como o IVG que representa algo intangível para a freguesia de Santiago da Guarda abandonada e vazia de alunos”, adianta Vítor Rodrigues, na esperança de que seja “reconvertida e entregue à comunidade com brevidade”.

“Aqui eramos basicamente uma família, em que toda a gente se conhecia e o ambiente era diferente daquele que se vive noutras escolas”, recordou a antiga aluna Liliana Martins, destacando “a excelente relação com os professores e funcionários, uma cumplicidade que não encontrei em Ansião”, onde fez o ensino secundário.

Marisa Rodrigues também frequentou o IVG e guarda as melhores recordações daquele tempo. “Não tenho qualquer tipo de queixa, era excelente desde o ensino, aos professores, funcionários e instalações”, refere, frisando as “muitas actividades que havia ao longo do ano, como o dia aberto, a semana cultural, as palestras, as festas de final de período abertas à população, etc.”. Por essas razões, “acho que é uma enorme perda para Santiago da Guarda”, cujas consequências já são notórias: “as ruas estão menos movimentadas”.

 

Grupo GPS justifica-se

 

O Grupo GPS, detentor do Instituto Vasco da Gama (IVG), justificou ao TERRAS DE SICÓ a decisão de “suspender a sua actividade de prestação de ensino gratuito” devido à não atribuição de turmas de início de ciclo em contrato de associação.

Reforçando que “todos os alunos [que frequentavam o Instituto] obtiveram colocação em escolas estatais”, fonte da direcção da sociedade gestora do IVG assegura que, quanto aos docentes, esta “está a desenvolver todos os esforços para encontrar alternativas de emprego noutras escolas da região geridas pela mesma sociedade, tendo sido possível aplicar esta medida a vários professores. Para além disto, fruto das colocações promovidas pelo Ministério da Educação, outros professores foram colocados em escolas estatais. Para os casos em que nenhuma das situações anteriores foi possível de aplicar, a sociedade está a aplicar a legislação em vigor”, refere.