O concelho de Alvaiázere acompanha a tendência de decréscimo de desemprego registada a nível regional e nacional, caminhando para o chamado “desemprego estrutural”. A revelação foi feita ao TERRAS DE SICÓ pelo director do Instituto de Emprego e Formação Profissional de Figueiró dos Vinhos, João Ribeiro, à margem da Feira de Emprego, promovida pela equipa do CLDS 3G de Alvaiázere, que se realizou no passado dia 15 de Dezembro.

“Esta região tem acompanhado a tendência do país de decréscimo de desemprego e de facto, neste momento, estamos quase a chegar àquilo que se pode chamar de um desemprego estrutural”, afirmou João Ribeiro, argumentando que “isto resulta de uma certa proactividade do Instituto de Emprego na procura de soluções para as pessoas”, mas também “da própria dinâmica do mercado de trabalho, que tem vindo a criar emprego e a criar capacidade para absorver as pessoas que estavam desempregadas”.

“A tendência que se verificou ao longo do ano 2017 foi a integração no mercado de trabalho das pessoas que estavam há menos tempo desempregadas, já as que estão em situação de desemprego de longa duração têm de facto mais dificuldade de reintegrar o mercado de trabalho”, adiantou, constatando que “esta não é uma característica específica deste concelho, mas uma realidade que se verifica de norte a sul do país”.

“Se o desemprego tem diminuído, aqueles que continuam desempregados são aqueles que já estavam há mais tempo nesta situação” e neste âmbito “Alvaiázere não é um caso específico”, nem apresenta “características muito díspares de outros concelhos”. Aliás, “acompanha a tendência que se verifica em todo do país, mas também noutros países da Europa”, até porque “as empresas privilegiam tendencialmente os candidatos que tem uma experiência de trabalho mais recente, logo aqueles que se encontram desempregados há mais tempo apresentam-se como menos atractivos a uma futura contratação”.

“Daí que, neste momento, as medidas activas de emprego e os apoios promovidos pelo IEFP privilegiem a contratação de desempregados de longa duração ou outras pessoas com características que de alguma forma tenham o seu ingresso ao mercado de trabalho dificultado”, realçou João Ribeiro, salientando que “estas medidas e apoios estão disponíveis para qualquer empresa, mas o público que permite a concessão do apoio tem que obedecer a determinadas características, que estão intimamente ligadas com a dificuldade no acesso ao mercado de trabalho”.

Contudo, estas pessoas também podem melhorar a sua atractividade apostando em formação e adoptando uma atitude de “resiliência, insistência na procura de oportunidades, alargar o leque de opções, estar atento às oportunidades que vão surgindo e mostrar alguma flexibilidade em termos de horários”.

De acordo com aquele dirigente, “Alvaiázere acompanha a realidade do país”, deparando-se com “várias áreas onde é mais difícil encontrar profissionais qualificados”. Assim, “as actividades relacionadas com a serralharia e soldadura” são aquelas onde há mais carência de mão-de-obra qualificada na região. O sector da restauração, nomeadamente profissionais qualificados para a cozinha e serviço de mesa, bem como motoristas de pesados habilitados são também áreas mais complicadas de encontrar profissionais.

 

Mercado Mutável

 

“Mas o mercado de trabalho é muito mutável e aquilo que hoje é uma dificuldade mais premente, daqui a uns meses pode ser substituída por outra”, adverte João Ribeiro, alegando que nesta área “as dinâmicas vão-se alterando com muita rapidez”. Por isso, é fundamental “manter uma ligação próxima com as instituições, as empresas e as entidades empregadoras da região”, bem como “ter alguma iniciativa e proactividade em relação àquilo que se espera ser as dificuldades de emprego”. “Tem sido essa a nossa actuação e provavelmente tem sido por essa razão que o desemprego tem vindo a diminuir”, sustentou.

Neste sentido a Feira de Emprego e Formação Profissional de Alvaiázere é também uma iniciativa relevante, na medida em que permite “aproximar as instituições da população que servem, mas também aproximar as pessoas dos serviços que prestamos e das ofertas que temos”, referiu aquele dirigente, certo de que este “é um momento de favorecimento mútuo, que espero motivador de soluções futuras e proveitoso para despertar e intensificar interesses para as oportunidades que vão surgindo”.

“Esta feira de emprego tem como objectivo divulgar algumas ofertas formativas e de emprego”, afirmou Carla Silva, coordenadora da equipa local do CLDS 3G, adiantando que “neste âmbito convidámos algumas entidades formativas e empresas”. “O objectivo é sobretudo proporcionar um dia diferente, dando ainda a possibilidade às pessoas para participarem num workshop sobre ‘medidas activas de emprego’ e outro sobre ‘sou aquilo que comunico’”, dotando os desempregados de ferramentas e conhecimentos importantes para continuarem à procura de emprego.