Lançado há quase oito anos pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) em parceria com outras entidades, o projecto “Caminhos de Fátima - Rota de Peregrinação das Carmelitas”, entre Coimbra e o santuário mariano, deverá estar finalmente concluído em Maio próximo, assegura Luís Matias, presidente da Agência para o Desenvolvimento dos Castelos e Muralhas Medievais do Mondego, entidade agora responsável por colocar no terreno a obra que é financiada por fundos comunitários.

“O projecto está em andamento, está na fase de adjudicação para ter início a beneficiação do traçado e instalação de sinalética”, refere ao TERRAS DE SICÓ o também autarca de Penela, um dos concelhos envolvidos na concretização do plano, a par de Condeixa, Ansião, Alvaiázere, Ourém e Coimbra, cuja autarquia foi a última a aprovar, há dias, a assinatura do protocolo que permitirá formalizar a obra.

O financiamento, ou a falta dele, foi a principal razão do atraso na saída do papel de uma (boa) ideia que foi dada a conhecer em 2010. Em Maio desse ano, a CCDRC assinava um acordo de cooperação com as Dioceses de Coimbra e Leiria, Entidades Regionais de Turismo, Santuário de Fátima e os referidos seis municípios, para a criação de uma rota destinada aos peregrinos que se deslocam a pé aquele local sagrado.

Redireccionar os fluxos de peregrinos das vias de comunicação com tráfego intenso para caminhos que ofereçam maior segurança, ao mesmo tempo que propiciem convívio, recolhimento e um maior conforto, eram (são) as pretensões para a rota, aliadas à dinamização do território atravessado.

Apostava-se então no financiamento através do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), mas o melhor que se conseguiu, um ano depois, foi disponibilizar a geo-referenciação do traçado, ou seja, a possibilidade de percorrer a rota com recurso ao sistema de GPS. O ano de 2012 era o apontado para operacionalizar no terreno uma nova passe do projecto, que passava pela sinalização, qualificação e segurança da rota, colocação de placas informativas sobre locais a visitar, alojamento, alimentação, postos de saúde, farmácias, lojas e vias alternativas. Os anos foram passando e nada, até agora.

Porém, o financiamento comunitário, no âmbito do Centro2020, conseguido entretanto pela Associação Caminhos de Fátima, constituída em 2016, vai permitir que, através da Agência para o Desenvolvimento dos Castelos e Muralhas Medievais do Mondego e dos seis municípios referenciados, seja possível executar a obra, orçada em cerca de 200.000 euros, dos quais 85 por cento assegurados pelo FEDER.

A Rota das Carmelitas, numa extensão de perto de uma centena e meia de quilómetros, faz a ligação do Carmelo de Santa Teresa, junto ao Memorial Irmã Lúcia, ao local das Aparições, e partilha o mesmo traçado do Caminho Português de Santiago de Compostela, mas em sentido inverso.

“É um percurso que procura valorizar o território e a experiência do peregrino/caminhante, através da valorização dos elementos diferenciadores locais, nas suas componentes ambiental, cultural, patrimonial e religiosa”, salienta Luís Matias, frisando a pretensão de assim criar um produto turístico.

Pela frente estão pois cerca de três meses de (muito) trabalho para realizar a obra a tempo de “aproveitar” os milhares de peregrinos que em Maio se deslocam a pé a Fátima.